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Instituto Lúcia

Marxismo · Ensino médio · aula 2 de 3 · ~4 min de leitura

Mais-valia

De onde vem o lucro: a parte da jornada que o trabalhador entrega sem receber.

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A pergunta

Um empresário compra máquinas, matéria-prima e contrata trabalhadores. No fim do mês, vende os produtos e fica com mais dinheiro do que gastou. De onde vem essa diferença?

A resposta mais comum é: "ele compra barato e vende caro". Mas isso não explica o lucro da sociedade inteira. Se todos vendessem acima do valor, o que um ganha como vendedor perderia como comprador. Alguém precisa estar produzindo esse valor a mais.

A mercadoria especial

Marx percebeu que, entre todas as mercadorias que o capitalista compra, uma é diferente das outras: a força de trabalho, ou seja, a capacidade de trabalhar das pessoas.

Uma máquina só transfere ao produto o valor que ela mesma custou, pouco a pouco, até se desgastar. O algodão vira tecido, mas não cria valor novo. Só o trabalho humano cria valor novo.

E aqui está o ponto central: o trabalhador não vende ao patrão o produto do seu trabalho. Ele vende a sua força de trabalho por um certo tempo. O salário paga o que o trabalhador precisa para viver e voltar a trabalhar no dia seguinte. Mas, durante a jornada, ele produz mais do que isso.

Um exemplo

Uma costureira trabalha 8 horas por dia em uma confecção.

  • Em 8 horas, o trabalho dela acrescenta R$ 400 de valor às peças.
  • O salário dela corresponde a R$ 100 por dia.

Isso quer dizer que, nas 2 primeiras horas, ela já produziu o equivalente ao próprio salário. Nas 6 horas restantes, continua trabalhando, mas o valor que produz fica inteiro com o dono da confecção.

Parte da jornadaDuraçãoValor produzidoFica com
Trabalho necessário2 horasR$ 100a trabalhadora (salário)
Trabalho excedente6 horasR$ 300o patrão

Esses R$ 300 são a mais-valia: a diferença entre o valor que o trabalhador produz e o que ele recebe. É dela que saem o lucro do empresário, os juros do banco e o aluguel do proprietário.

Repare que não houve roubo no sentido da lei. O contrato foi cumprido e o salário combinado foi pago. A exploração está dentro da relação de trabalho assalariado, e por isso é tão difícil de enxergar.

Duas maneiras de aumentar a mais-valia

  • Mais-valia absoluta. O patrão estica a jornada: de 8 para 10 horas, com o mesmo salário. As horas a mais são todas de trabalho excedente. Horas extras não pagas e "banco de horas" seguem essa lógica.
  • Mais-valia relativa. A jornada continua igual, mas a produtividade aumenta com novas máquinas ou com um ritmo mais intenso. O trabalhador passa a produzir o equivalente ao seu salário em menos tempo, e sobra mais tempo de trabalho excedente.

É por isso que a história do movimento operário é, em grande parte, a história da luta pela redução da jornada e pelo aumento do salário: as duas coisas diminuem a parte do dia trabalhada de graça.

Para refletir

Quando a tecnologia permite produzir o mesmo em metade do tempo, o que costuma acontecer: as pessoas passam a trabalhar a metade, ou metade das pessoas perde o emprego? Quem decide isso?

Para ler

Em Salário, Preço e Lucro, o próprio Marx explica a mais-valia em uma conferência para trabalhadores. Para ir fundo, o caminho é O Capital.

Teste o que você aprendeu

  1. 1. O que o trabalhador vende ao patrão, segundo Marx?

  2. 2. Uma trabalhadora produz R$ 400 de valor novo por dia e recebe R$ 100 de salário. De quanto é a mais-valia?

  3. 3. Aumentar a jornada de 8 para 10 horas com o mesmo salário é um exemplo de quê?

Fontes desta aula

Por Instituto Lúcia · Última alteração em 08/10/2026 · 2 versões guardadas · Licença CC BY-SA 4.0

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