Inteligência artificial · Ensino fundamental · aula 1 de 1 · ~4 min de leitura
O que é inteligência artificial
O que essas máquinas fazem de verdade, de onde veio o nome e por que elas erram.
Esta aula ainda aguarda revisão da comunidade. Achou um erro? Sugira uma correção.
Um nome de 1956
A expressão inteligência artificial (IA) foi criada em 1956 pelo cientista da computação John McCarthy, para um encontro de pesquisadores nos Estados Unidos. Seis anos antes, o matemático inglês Alan Turing já havia perguntado, em um artigo famoso: "As máquinas podem pensar?".
O nome impressiona, mas a definição é modesta: IA é o campo que constrói sistemas de computador capazes de realizar tarefas que costumam exigir inteligência humana, como reconhecer um rosto, traduzir um texto, sugerir uma rota ou responder a uma pergunta.
Como ela funciona hoje
Um programa tradicional segue regras escritas por alguém: "se o saldo for menor que zero, mostre um aviso". Para tarefas como reconhecer um gato em uma foto, ninguém consegue escrever todas as regras.
A saída foi inverter o método. No aprendizado de máquina, mostram-se ao sistema milhões de exemplos (fotos com e sem gato, frases e suas traduções) e ele ajusta sozinho milhões de números internos até acertar a maioria dos casos. O resultado é chamado de modelo.
O modelo não recebeu uma definição de gato. Ele encontrou padrões estatísticos nos exemplos. Os assistentes de texto funcionam assim: foram treinados com uma quantidade gigantesca de textos e calculam, palavra por palavra, qual é a continuação mais provável.
Qual é a diferença entre um programa tradicional e um sistema de aprendizado de máquina?
Onde ela já está
- Na recomendação de vídeos e de músicas.
- No filtro de mensagens indesejadas do e-mail.
- No teclado do celular, que sugere a próxima palavra.
- Na tradução automática e nas legendas geradas por voz.
- Na análise de crédito dos bancos e na triagem de currículos.
- No reconhecimento facial de câmeras de segurança.
Os três últimos mostram que não se trata só de comodidade: decisões que afetam a vida das pessoas já são tomadas com a ajuda desses sistemas.
O que ela não é
- Não é consciente. Não há evidência de que esses sistemas sintam, queiram ou entendam. Eles calculam.
- Não é neutra. Aprende com dados produzidos por uma sociedade desigual e pode repetir racismo, machismo e outros preconceitos presentes neles.
- Não é infalível. Pode afirmar algo falso com total segurança, inventar uma citação, uma lei ou um livro que não existem. Isso ficou conhecido como "alucinação".
- Não surge do nada. Depende do trabalho de milhares de pessoas que rotulam dados, muitas vezes por pagamentos baixíssimos, de centros de dados que consomem muita energia e água, e de textos e imagens produzidos por gente que quase nunca foi consultada.
As perguntas certas
Diante de qualquer sistema de IA, vale perguntar:
- Quem o construiu e quem lucra com ele?
- Com que dados foi treinado? De quem eram?
- O que acontece quando ele erra, e quem responde pelo erro?
- Dá para conferir a resposta em outra fonte?
Em 2021, os países-membros da UNESCO aprovaram uma recomendação sobre a ética da IA que parte de princípios parecidos: transparência, responsabilidade humana, proteção de dados e respeito aos direitos.
A tecnologia não decide sozinha o seu uso. A mesma ferramenta pode servir para diagnosticar doenças mais cedo ou para vigiar trabalhadores. Quem decide é a sociedade, e por isso entender o assunto é uma questão de cidadania.
Para praticar
- Liste cinco situações do seu dia em que um sistema desses tomou uma decisão por você ou sobre você.
- Faça a um assistente de texto uma pergunta sobre algo que você conhece muito bem. Ele acertou tudo? Onde errou?
Teste o que você aprendeu
1. Como a maior parte dos sistemas de inteligência artificial de hoje 'aprende'?
2. Um sistema de inteligência artificial entende o que diz?
3. De onde vêm os preconceitos que um sistema desses pode reproduzir?
Fontes desta aula
- UNESCO. Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial (2021).
- Stuart Russell e Peter Norvig. Inteligência Artificial: uma abordagem moderna (2021).
- Alan Turing (revista Mind, v. 59, n. 236). Computing Machinery and Intelligence (1950).