O que é inteligência artificial Inteligência artificial: para entender · Instituto Lúcia O que essas máquinas fazem de verdade, de onde veio o nome e por que elas erram. ## Um nome de 1956 A expressão **inteligência artificial** (IA) foi criada em 1956 pelo cientista da computação John McCarthy, para um encontro de pesquisadores nos Estados Unidos. Seis anos antes, o matemático inglês Alan Turing já havia perguntado, em um artigo famoso: "As máquinas podem pensar?". O nome impressiona, mas a definição é modesta: IA é o campo que constrói **sistemas de computador capazes de realizar tarefas que costumam exigir inteligência humana**, como reconhecer um rosto, traduzir um texto, sugerir uma rota ou responder a uma pergunta. ## Como ela funciona hoje Um programa tradicional segue regras escritas por alguém: "se o saldo for menor que zero, mostre um aviso". Para tarefas como reconhecer um gato em uma foto, ninguém consegue escrever todas as regras. A saída foi inverter o método. No **aprendizado de máquina**, mostram-se ao sistema milhões de exemplos (fotos com e sem gato, frases e suas traduções) e ele ajusta sozinho milhões de números internos até acertar a maioria dos casos. O resultado é chamado de **modelo**. O modelo não recebeu uma definição de gato. Ele encontrou **padrões estatísticos** nos exemplos. Os assistentes de texto funcionam assim: foram treinados com uma quantidade gigantesca de textos e calculam, palavra por palavra, qual é a continuação mais provável. ```verificar Qual é a diferença entre um programa tradicional e um sistema de aprendizado de máquina? - Nenhuma + O tradicional segue regras escritas por pessoas; o outro extrai padrões de exemplos - O tradicional é mais novo > Releia os dois primeiros parágrafos desta seção. ``` ## Onde ela já está - Na recomendação de vídeos e de músicas. - No filtro de mensagens indesejadas do e-mail. - No teclado do celular, que sugere a próxima palavra. - Na tradução automática e nas legendas geradas por voz. - Na análise de crédito dos bancos e na triagem de currículos. - No reconhecimento facial de câmeras de segurança. Os três últimos mostram que não se trata só de comodidade: decisões que afetam a vida das pessoas já são tomadas com a ajuda desses sistemas. ## O que ela não é - **Não é consciente.** Não há evidência de que esses sistemas sintam, queiram ou entendam. Eles calculam. - **Não é neutra.** Aprende com dados produzidos por uma sociedade desigual e pode repetir racismo, machismo e outros preconceitos presentes neles. - **Não é infalível.** Pode afirmar algo falso com total segurança, inventar uma citação, uma lei ou um livro que não existem. Isso ficou conhecido como "alucinação". - **Não surge do nada.** Depende do trabalho de milhares de pessoas que rotulam dados, muitas vezes por pagamentos baixíssimos, de centros de dados que consomem muita energia e água, e de textos e imagens produzidos por gente que quase nunca foi consultada. ## As perguntas certas Diante de qualquer sistema de IA, vale perguntar: 1. Quem o construiu e quem lucra com ele? 2. Com que dados foi treinado? De quem eram? 3. O que acontece quando ele erra, e quem responde pelo erro? 4. Dá para conferir a resposta em outra fonte? Em 2021, os países-membros da UNESCO aprovaram uma recomendação sobre a ética da IA que parte de princípios parecidos: transparência, responsabilidade humana, proteção de dados e respeito aos direitos. A tecnologia não decide sozinha o seu uso. A mesma ferramenta pode servir para diagnosticar doenças mais cedo ou para vigiar trabalhadores. Quem decide é a sociedade, e por isso entender o assunto é uma questão de cidadania. ## Para praticar 1. Liste cinco situações do seu dia em que um sistema desses tomou uma decisão por você ou sobre você. 2. Faça a um assistente de texto uma pergunta sobre algo que você conhece muito bem. Ele acertou tudo? Onde errou? --- Instituto Lúcia · CC BY-SA 4.0