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Instituto Lúcia

Economia · Ensino fundamental · aula 1 de 1 · ~4 min de leitura

Juros: o preço do dinheiro

O que são juros, por que os compostos fazem a dívida explodir e como se defender.

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Aluguel de dinheiro

Quem aluga uma casa paga pelo tempo em que a usa. Com o dinheiro é igual: quem pega emprestado paga um aluguel a quem emprestou. Esse aluguel se chama juro.

Você paga juros quando parcela uma compra, usa o cheque especial, deixa a fatura do cartão para depois ou faz um empréstimo. Você recebe juros quando guarda dinheiro na poupança ou em outra aplicação: nesse caso, é você quem está emprestando ao banco.

O tamanho do juro é dado pela taxa, uma porcentagem por período: 2% ao mês, 12% ao ano. (Se porcentagem ainda é um problema, veja a aula Porcentagem.)

Juros simples

Nos juros simples, a taxa incide sempre sobre o valor inicial.

R$ 1.000 emprestados a 10% ao mês rendem R$ 100 de juros por mês. Em 12 meses: R$ 1.200 de juros. Total: R$ 2.200.

Juros compostos

Nos juros compostos, a taxa incide sobre tudo o que já se acumulou: o valor inicial mais os juros dos meses anteriores. É o "juro sobre juro". É assim que funcionam, na vida real, o cartão de crédito, o cheque especial, os empréstimos e também as aplicações.

Os mesmos R$ 1.000 a 10% ao mês:

MêsDívida
0R$ 1.000,00
1R$ 1.100,00
2R$ 1.210,00
3R$ 1.331,00
6R$ 1.771,56
12R$ 3.138,43

No segundo mês, os 10% já são calculados sobre R$ 1.100, e não sobre R$ 1.000. Parece pouca diferença no começo. No fim de um ano, a dívida mais que triplicou.

No exemplo da tabela, de quanto são os juros cobrados no terceiro mês?

Por que isso pesa no Brasil

As taxas cobradas das famílias brasileiras estão entre as mais altas do mundo. Segundo os dados do Banco Central, os juros do rotativo do cartão de crédito, cobrados de quem paga só uma parte da fatura, têm ficado acima de 400% ao ano. Desde janeiro de 2024, uma lei limita o total de juros e encargos dessa modalidade ao valor original da dívida: ela pode, no máximo, dobrar.

Juros altos não são um fenômeno da natureza. São uma transferência de renda: de quem precisa de crédito para pagar as contas para quem tem dinheiro sobrando para emprestar. Quando a taxa básica de juros do país sobe, cresce também a parte do orçamento público que vai para os credores da dívida pública.

Como se defender

  1. Fuja do rotativo e do cheque especial. São os créditos mais caros que existem.
  2. Compare o custo total, e não só a parcela. Peça sempre o Custo Efetivo Total (CET), que os bancos são obrigados a informar.
  3. Desconfie de "sem juros". Pergunte o preço à vista: a diferença, muitas vezes, são juros embutidos.
  4. Se a dívida já existe, procure trocar uma dívida cara por outra mais barata e renegocie. Os Procons e a Defensoria Pública orientam de graça.
  5. Faça a conta antes. Use a ferramenta de juros compostos do instituto com os seus próprios números.

Para praticar

  1. Na ferramenta de juros compostos, simule uma dívida de R$ 500 a 12% ao mês por 12 meses, sem depósitos. Quanto se paga de juros?
  2. Agora simule R$ 100 guardados todo mês, a 0,6% ao mês, por 10 anos. Quanto você depositou e quanto ganhou de juros?
  3. Compare os dois resultados. O que eles dizem sobre quem ganha com os juros?

Teste o que você aprendeu

  1. 1. O que são juros?

  2. 2. Qual é a diferença entre juros simples e compostos?

  3. 3. Uma dívida de R$ 1.000 a 10% ao mês, em juros compostos, chega a quanto depois de um ano sem pagamentos?

Fontes desta aula

Por Instituto Lúcia · Última alteração em 08/10/2026 · 1 versão guardada · Licença CC BY-SA 4.0

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