Como identificar uma notícia falsa Ler a notícia · Instituto Lúcia Sete perguntas para fazer antes de acreditar, e principalmente antes de compartilhar. ## Mentira corre mais Em 2018, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts analisaram mais de 100 mil histórias que circularam em uma rede social ao longo de onze anos. A conclusão, publicada na revista *Science*: as **notícias falsas se espalharam mais longe e mais depressa** do que as verdadeiras, e quem as espalhou foram pessoas comuns, não robôs. A explicação é simples. A mentira pode ser feita sob medida para provocar espanto, raiva ou medo. A verdade costuma ser mais complicada e menos emocionante. ## Três tipos de conteúdo enganoso - **Inventado**: nunca aconteceu. - **Fora de contexto**: é verdadeiro, mas foi apresentado com data, lugar ou sentido trocados. Uma foto de enchente de 2011 divulgada como se fosse de hoje. - **Distorcido**: parte de um fato real e exagera, corta ou torce. Uma frase recortada de um discurso de uma hora. Nem todo erro é mentira. Jornalistas e pesquisadores também erram; a diferença é que os sérios corrigem. ## As sete perguntas **1. O que isso me faz sentir?** Se a mensagem dá raiva, medo ou nojo e pede "repasse antes que apaguem", pare. Esse é o gancho. **2. Quem publicou?** Há um veículo, um autor, um órgão responsável? Olhe o endereço com atenção: sites falsos imitam os verdadeiros trocando uma letra. **3. Quando?** Notícia velha reciclada é um clássico. Procure a data. **4. Qual é a fonte da informação?** Um bom texto diz de onde tirou cada dado: "segundo o IBGE", com o nome da pesquisa. "Um médico famoso disse" não é fonte. **5. Mais alguém deu?** Pesquise o assunto. Um fato importante aparece em vários veículos diferentes. Se só existe naquela corrente, desconfie. **6. A imagem é dessa história?** Faça uma **busca reversa**: nos principais buscadores, dá para enviar a foto e ver onde ela já apareceu. Com vídeos e áudios, redobre o cuidado: hoje é possível imitar a voz e o rosto de qualquer pessoa. **7. Já foi checado?** Consulte as agências de checagem, como a [Lupa](https://lupa.uol.com.br/), o [Aos Fatos](https://www.aosfatos.org/) e o [Comprova](https://projetocomprova.com.br/), e a seção de [checagens](/checagens) do instituto. ```verificar Você recebe a foto de uma multidão com a legenda "protesto ontem na sua cidade". Qual é a melhor forma de conferir? - Perguntar no grupo se alguém sabe + Fazer uma busca reversa da imagem e procurar a notícia em outros veículos - Repassar e ver o que respondem > Releia as perguntas 5 e 6. ``` ## Quem ganha com a mentira Desinformação raramente é brincadeira. Alguém ganha com ela: - **dinheiro**: sites que vivem de cliques e de anúncios, vendedores de curas milagrosas; - **poder**: campanhas para destruir reputações, desacreditar a ciência, o voto ou os movimentos sociais; - as próprias **plataformas**, cujos sistemas de recomendação premiam o conteúdo que mais prende a atenção, verdadeiro ou não. Perguntar "a quem isso interessa?" não prova que uma informação é falsa, mas ajuda a decidir o quanto conferir antes de acreditar. ## A regra final **Na dúvida, não compartilhe.** Cada pessoa que deixa de repassar uma mentira quebra a corrente. E, quando alguém próximo compartilhar algo falso, responda em particular, com a fonte, sem humilhar: quase todo mundo já caiu em alguma. ## Para praticar 1. Escolha uma mensagem que circulou nos seus grupos esta semana e aplique as sete perguntas. 2. Faça uma busca reversa com uma foto qualquer do seu celular, para aprender o caminho. 3. Veja o [guia de fontes](/guia) do instituto e salve os endereços das agências de checagem. --- Instituto Lúcia · CC BY-SA 4.0