A Lei Maria da Penha Igualdade · Instituto Lúcia A história da mulher que deu nome à lei, o que a lei considera violência e como pedir ajuda. ## Quem é Maria da Penha **Maria da Penha Maia Fernandes** é uma farmacêutica cearense. Em 1983, o então marido tentou matá-la duas vezes: primeiro com um tiro nas costas, enquanto ela dormia, que a deixou paraplégica; depois, tentando eletrocutá-la no banho. Ela denunciou. O processo se arrastou por anos: o agressor foi julgado e condenado, mas recorreu e continuou em liberdade. Em 1998, com o apoio de organizações de direitos humanos, Maria da Penha levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos. Em 2001, a Comissão responsabilizou o Estado brasileiro por omissão e tolerância diante da violência contra as mulheres e recomendou mudanças nas leis. O agressor só foi preso em 2002, dezenove anos depois do crime. A lei que resultou dessa pressão foi sancionada em **7 de agosto de 2006** e leva o nome dela. ## O que a lei diz Antes de 2006, bater na companheira costumava ser tratado como crime "de menor potencial ofensivo", e a pena podia ser o pagamento de cestas básicas. A Lei Maria da Penha mudou isso. Ela afirma que a violência doméstica e familiar contra a mulher é uma violação dos direitos humanos e descreve **cinco formas** de violência: | Forma | Exemplos | | --- | --- | | Física | bater, empurrar, queimar, estrangular | | Psicológica | ameaçar, humilhar, vigiar, isolar da família e dos amigos | | Sexual | forçar relações, impedir o uso de anticoncepcional | | Patrimonial | tomar o salário, destruir documentos, objetos ou instrumentos de trabalho | | Moral | caluniar, difamar, xingar | A lei vale para a violência cometida dentro de casa, na família ou em qualquer relação íntima, mesmo que os dois nunca tenham morado juntos e mesmo depois do fim da relação. Vale também para casais de mulheres, e os tribunais já a aplicam a mulheres trans. ```verificar O companheiro de Joana não bate nela, mas confere o seu celular todos os dias, proíbe que ela visite a mãe e fica com o cartão do banco. Isso é violência segundo a lei? - Não, porque não houve agressão física + Sim: são exemplos de violência psicológica e patrimonial > Releia a tabela das cinco formas. ``` ## Medidas protetivas Um dos pontos mais importantes da lei são as **medidas protetivas de urgência**. A mulher pode pedi-las na delegacia, e o juiz deve decidir em até 48 horas. Entre elas: - afastar o agressor de casa; - proibir que ele se aproxime da mulher, dos filhos e das testemunhas, ou que faça contato; - suspender a posse de armas. Descumprir uma medida protetiva é crime. A lei também criou juizados especializados, previu casas-abrigo e proibiu que a pena seja apenas uma multa ou uma cesta básica. ## Como pedir ajuda - **Ligue 180**: Central de Atendimento à Mulher. Gratuita, 24 horas, todos os dias. Orienta e encaminha denúncias. - **190**: Polícia Militar, em caso de emergência. - **Delegacia da Mulher** ou qualquer delegacia: para registrar a ocorrência e pedir a medida protetiva. - **Defensoria Pública**: atendimento jurídico gratuito. Quem presencia a violência também pode e deve denunciar. ## O que ainda falta A lei é considerada uma das mais avançadas do mundo sobre o tema, mas lei no papel não basta. Faltam delegacias especializadas e casas-abrigo na maior parte dos municípios, e os números de feminicídio continuam altos. Em 2015, o assassinato de mulheres por razões de gênero passou a ter nome na lei: **feminicídio**. Fazer a lei valer, em cada cidade, continua sendo uma luta dos movimentos de mulheres. --- Instituto Lúcia · CC BY-SA 4.0